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Economia

há 23 horas

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China amplia mercado para miúdos suínos do Brasil e pode gerar US$ 100 milhões

Novo protocolo sanitário amplia a lista de produtos autorizados e pode direcionar mais de 100 mil toneladas por ano ao mercado chinês, segundo estimativa da ABPA

A China ampliou o acesso a miúdos suínos brasileiros e poderá receber mais de 100 mil toneladas desses produtos por ano com a revisão do protocolo sanitário bilateral assinada entre os dois países. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a abertura pode representar mais de US$ 100 milhões em receita adicional para a suinocultura brasileira.

O protocolo foi assinado no sábado (26) pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A medida amplia a lista de produtos brasileiros autorizados a entrar no mercado chinês e estabelece requisitos sanitários, de certificação e de habilitação para os estabelecimentos interessados em exportar.

A mudança permite que produtos que podem ter menor valor comercial em alguns mercados sejam direcionados a um dos principais mercados consumidores de carne suína do mundo. A China importa cerca de US$ 2,5 bilhões por ano em miúdos suínos, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Entre os produtos incluídos no protocolo estão músculo suíno congelado, banha suína não refinada, línguas, máscara, focinho, orelhas, cauda, pés, pele, cartilagem, estômagos, fígado, coração, rins, diafragma e ossos suínos. A exportação dependerá do cumprimento dos requisitos sanitários acordados entre as autoridades dos dois países.

Até então, o acesso brasileiro ao mercado chinês de miúdos era mais restrito. Alguns produtos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína, já eram autorizados em determinadas condições. Com a revisão do protocolo, a lista de produtos permitidos foi ampliada.

A ABPA estima que Santa Catarina poderá direcionar cerca de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao mercado chinês. Para o Rio Grande do Sul, o potencial estimado supera 40 mil toneladas por ano. Somados, os dois estados representam mais de 100 mil toneladas anuais.

Além do impacto sobre as exportações, a abertura amplia as possibilidades de aproveitamento da produção suína. A entidade avalia que a demanda chinesa por miúdos pode agregar valor a produtos que já são obtidos no processamento dos animais e gerar novas oportunidades para frigoríficos habilitados.

A assinatura ocorreu no encerramento de uma auditoria realizada por técnicos chineses em frigoríficos brasileiros. Iniciada em 20 de setembro, a missão incluiu visitas a estabelecimentos de produção, fazendas, abatedouros e laboratórios oficiais em seis estados, envolvendo as cadeias de carnes bovina, suína e de aves.

O Brasil foi reconhecido em maio de 2025 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento sanitário faz parte do contexto das negociações para ampliar o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês.

A China é atualmente o principal comprador de produtos do agronegócio brasileiro. Segundo o Mapa, o país respondeu por 36,1% das exportações brasileiras do agronegócio em 2023, maior participação registrada na série histórica até aquele momento.

 

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