Olá, Leitores.
Estou sumido, é verdade. A vida cotidiana e o meu propósito de trazer máquinas diferenciadas, acabam prejudicando um pouco regularidade da coluna. Mas esse ano prometo trazer mais “belezuras” para vocês.

Quem acompanha esta coluna já entendeu que aqui não falamos de carros apenas como objetos de consumo, tampouco como produtos encaixotados em fichas técnicas e números frios. Aqui falamos de experiências, de sensações, de máquinas que provocam algo além do racional. Aliás, não há nada mais broxante do que comprar carro movido pelo “racional”. Convenhamos, isso é coisa de quem não gosta de carro de verdade...
E nesta edição, tive a oportunidade de vivenciar uma experiência que parece cada vez mais raras no mundo automotivo moderno: a de um carro esportivo genuíno, feito para o motorista (prefiro até a palavra piloto, rsrsr), sem pedir desculpas por isso.
O carro da vez é o BMW M2, modelo 2024.
Essa unidade está à venda na Show Room Multimarcas, a quem agradeço sempre por me emprestar os carros para teste.

Voltando aos carros, vivemos uma era em que os esportivos cresceram, ficaram mais pesados, mais complexos e, muitas vezes, mais filtrados. O M2 surge quase como um ato de resistência dentro da própria indústria: compacto, musculoso, tração traseira, motor de seis cilindros em linha e — ainda — a possibilidade de uma condução visceral.
Ao primeiro contato, o design já deixa claro que não se trata de um BMW comum. É largo, baixo, agressivo, quase provocativo. As superfícies são retas, os para-choques são brutos, as caixas de roda parecem infladas à força. Não há preocupação em agradar a todos — e isso é, por si só, um enorme elogio.
Mas é ao volante que o M2 revela sua verdadeira essência.
A posição de dirigir é perfeita: baixa, encaixada, com tudo apontando para o motorista. A direção é direta, rápida e extremamente comunicativa, transmitindo com precisão o que acontece entre os pneus dianteiros e o asfalto. Cada pequena correção é imediatamente sentida, criando uma conexão quase orgânica entre homem e máquina.
O motor — um seis cilindros em linha biturbo — é uma aula de caráter mecânico. Ele entrega força desde muito cedo (existe um delay de turbina, naturalmente) e cresce de forma progressiva e empolgante até altas rotações (e como gira, esse motor), acompanhado de um som encorpado, metálico e honesto, cada vez mais raro nos dias atuais. Não há artifícios exagerados, não há encenação artificial: há engenharia bem-feita.

O conjunto de chassi é simplesmente brilhante. O carro muda de direção com facilidade, permanece incrivelmente neutro em curvas e transmite uma sensação constante de controle. É rápido, muito rápido, mas nunca intimidante. Pelo contrário: o M2 convida o motorista a explorar seus limites, sempre com aquela sensação reconfortante de que tudo está sob controle — desde que você saiba o que está fazendo.
Aliás, para quem não sabe o que está fazendo, uma dica: FIQUE LONGE DO BOTÃO VERMELHO, NO LADO DIREITO DO VOLANTE, ESCRITO “M2”. Ele desliga todos os assistentes eletrônicos e, quando apertado, o “piloto” está por sua conta e risco. O carro tem muito “chão”, mas no modo “Soviético”, qualquer vacilo pode dar gerar grandes consequências.

Apesar de toda essa esportividade, surpreende o nível de usabilidade no dia a dia. A suspensão, embora firme, não é desconfortável e nodo “URBAN”, uma série de regulagens a tornam um coupê do dia-a-dia, com muito conforto.
A suspensão e chassi filtram bem as irregularidades do asfalto e permite uma convivência urbana perfeitamente aceitável para quem entende o que está dirigindo. É um esportivo de verdade, mas não um carro temperamental.

O interior segue a mesma lógica: esportivo, moderno e funcional. Há tecnologia, claro, mas sem roubar a cena daquilo que realmente importa — a condução. Tudo ali está a serviço do motorista.
Ao final da experiência, que dessa vez teve a companhia do meu filho mais velho (João Pedro), fica a sensação de ter dirigido algo especial. Algo que talvez represente um dos últimos capítulos de uma linhagem que está lentamente desaparecendo: a dos esportivos compactos, potentes, “analógicos” na medida certa e feitos para emocionar.
- O BMW M2 não é apenas rápido.
- Ele faz sentido.
- Ele envolve.
- Ele emociona.
- E, por isso, merece estar nesta coluna.
Bruno Romero (advogado e apaixonado por carros)





