Costuma-se pensar que espiritualidade está subordinada a certas normas morais, uma espécie de modelo uniforme, mas isso não é verdade.
A espiritualidade é um jeito de viver.
Para os cristãos é viver segundo o Espírito. Isso implica considerar que está ligado à liberdade, por isso há muitas espiritualidades. Também por isso ninguém pode impor um tipo de espiritualidade a outro.
A população brasileira segue, em sua maioria, a tradição cristã, católica ou evangélica. Mas a diversidade de origens provoca uma grande mistura de raças, com diferentes jeitos de ser.
Podemos encontrar na história pessoas que tiveram uma espiritualidade tão marcante que provocaram muitos seguidores. Assim falamos de espiritualidade franciscana, mariana, salesiana, e muitas outras menos populares. Embora cada uma tenha sua característica própria, por focar sua ação mais no serviço aos pobres, ou aos doentes, ou à educação da juventude, todas elas têm algo em comum: serviço por amor.
Para a maioria, a fonte de espiritualidade é a Bíblia, Palavra de Deus. Ali encontramos um texto que deve marcar a nossa espiritualidade: "tudo o que vós quereis que os homens vos façam fazei-o também vós, porque esta é a Lei e os Profetas” (Mateus 7,12). É a lei do amor pregada por Jesus.
A chamada regra áurea da humanidade, porque é uma só para todos os povos, todas as religiões e lugares, nos mostra que essa liberdade de fazer o bem ao próximo é algo enraizado na pessoa humana de todos os tempos e tradições. Encontramos textos do Alcorão, ensinamentos Brâmanes, Taoistas, Confucionistas, Budistas, Judaicos e Islâmicos que dizem a mesma coisa, com pequenas diferenças de linguagem: Não faças nada a outrem que te causaria dor se fosse feito a ti. Considera o ganho do próximo como teu próprio ganho e a perda do próximo como tua própria perda. Nenhum de vós será crente enquanto não desejar para seu irmão o que deseja para si mesmo.
Fazer ao outro o bem, na medida em que gostaríamos que os outros fizessem a nós, faria o mundo viver em paz. Não haveria tanto preconceito, discriminação e ódio no mundo.
Infelizmente o clima de conflito não existe só entre nações, existe também em nossa cidade, em nossa família, em nossa casa. Começar em casa a viver esse amor ao próximo já provoca uma grande mudança. Às vezes a convivência prolongada entre o casal, os filhos, os irmãos, gera certos atritos e afastamentos temporários, até que um dos contrariados reflita sobre a possibilidade de viver conforme o evangelho para ter paz. Se os irmãos conseguissem se tratar um ao outro como tratam seu melhor amigo, a discussão não provocaria briga, logo voltaria a paz.
O Papa Francisco publicou uma encíclica em que sugere quatro princípios para a construção da paz no mundo:
1° - O tempo é superior ao espaço;
2° - A unidade prevalece sobre o conflito;
3° - A realidade é mais importante do que a ideia;
4° - O todo é superior à parte.
Na próxima coluna, vamos esclarecer em que consiste a caminhada para a paz conforme o que propõe o Papa, que tanto pede para que as nações resolvam seus conflitos através do diálogo e não das armas.
Rezemos para que isso aconteça, para que as próximas gerações tenham vida.
