A vida interior se expressa pelos sentidos, porque a pessoa humana é corpo e alma unidos permanentemente. Não podemos existir sem o funcionamento de nossos cinco sentidos: a visão, a audição, o paladar, o tato e olfato. Muitas vezes não são todos perfeitos, quando há uma deficiência, pode ser corrigida.
Alguns sentidos podem ser dispensáveis, em algum momento ou por certo tempo. O paladar serve para nós termos prazer em nos alimentar, mas só é necessário quando comemos, para sentir o salgado, o azedo, o doce; podemos escolher o que mais nos agrada. A audição permite distinguir sons altos ou baixos, graves ou agudos, sem ela não conheceríamos a música e o canto dos pássaros, nem poderíamos reconhecer a voz da pessoa amada. O tato é fundamental para nos alertar de perigos, permite nos afastar de algo muito quente, um espinho, ou uma superfície muito áspera.
O olfato ficou por último porque é um sentido que não depende de nossa vontade para se manifestar. Se não queremos ver alguma coisa, basta fechar os olhos; se não queremos ouvir, tampamos os ouvidos; se o sabor não nos agrada, deixamos de comer; se não queremos tocar, basta se mover na direção oposta ao que queremos evitar. Já o olfato não pode ser dominado. Somos obrigados a sentir os cheiros que estão ao nosso redor, seja bom ou seja mau, sentimos o odor de qualquer coisa ou pessoa, porque não podemos deixar de respirar, mesmo quando o cheiro não nos agrada.
Essa realidade nos faz entender por que razão São Paulo escreve: “Por nosso meio Deus difunde o perfume do seu conhecimento em todo lugar[...] somos o perfume de Cristo” (II Cor. 2,14-15).
Isso é maravilhoso e também muito comprometedor. Se somos o perfume de Cristo entre todos, devemos ser como flores perfumadas, que atraem as pessoas para perto de nós e de Deus. Nossa presença não pode passar despercebida. Onde quer que estejamos, os outros vão sentir o nosso perfume e certamente não gostaríamos de cheirar mal.
O que São Paulo faz é uma analogia, uma comparação. Não exige de nós comprar e usar um perfume caro, comprado em pequenos frascos. Não se trata de usar um perfume, é a reação que a presença da pessoa provoca. Quem está sempre reclamando, falando grosserias; se tem sol, acha ruim, se chove, acha ruim, se faz frio, pragueja, se faz calor, também. Quem gosta de conviver com alguém assim? Todos se afastam, como nos afastamos do mau cheiro.
Ao contrário, é um prazer conviver com se mostra alegre, tem um olhar acolhedor, hospitaleiro, generoso, sabe compartilhar, é como se tivesse um bom e suave perfume de quem todos querem se aproximar.
A espiritualidade que cultivamos deve produzir um perfume agradável, que nos aproxime dos outros por estar perto de Deus.
