O ano de 2024 encerrou com mudanças importantes no perfil populacional de Mato Grosso do Sul. Além da queda no número de nascimentos, os dados do IBGE revelam um movimento crescente de mulheres que engravidam mais tarde e um fluxo expressivo de partos realizados fora do município de residência da mãe — quase um quinto dos bebês nasceu em outra cidade.
Ao todo, o Estado registrou 37.768 nascidos vivos, redução de 5,9% em comparação com 2023, acompanhando a tendência nacional de queda na fecundidade. Campo Grande seguiu o mesmo ritmo, com 11.338 partos, também abaixo do ano anterior.
Outro ponto que chama atenção é o deslocamento das gestantes. Cerca de 19% dos partos envolveram mães que precisaram buscar atendimento em outra cidade, índice bastante elevado quando comparado a outras regiões do país.
Os dados detalhados mostram particularidades da Capital. Embora a maior parte das mães tenha gravidez única, o número de gestações múltiplas é proporcionalmente maior em Campo Grande. No Estado, foram 905 gestações gemelares e 15 triplas ou mais. Já na Capital, o volume é ainda mais expressivo: 1.296 gestações de gêmeos e 9 de trigêmeos ou mais, número alto diante do total de partos realizados.
A maternidade em idade mais avançada continua ganhando espaço. Mais da metade das mães sul-mato-grossenses tinha 25 anos ou mais no momento do parto. Mesmo assim, o grupo entre 20 e 24 anos permaneceu como o mais numeroso, com 9.174 nascimentos.
Apesar da redução ao longo dos anos, a maternidade precoce persiste: 231 meninas com menos de 15 anos tiveram filhos no Estado em 2024, sendo 51 casos em Campo Grande. Esses números seguem como indicadores relevantes de vulnerabilidade social.
A distribuição entre os sexos seguiu o padrão nacional: 19.521 meninos e 18.244 meninas nasceram em MS. Na Capital, foram 5.862 meninos e 5.476 meninas.
Mesmo com boa estrutura hospitalar, houve partos fora desse ambiente: 117 partos domiciliares foram registrados no Estado — número que chega a 199 quando considerados outros tipos de local. Em Campo Grande, foram 8 partos em casa.
Óbitos fetais também chamaram atenção:
- Antes das 22 semanas: 37 casos no Estado, 11 na Capital
- Entre 22 e 27 semanas: 93 no Estado, 33 na Capital
- A partir da 28ª semana: 205 no Estado, 54 na Capital
A maioria ocorreu em hospitais, e a concentração nas primeiras semanas evidencia o impacto da prematuridade na mortalidade perinatal.








