A nova coordenadora do comitê gestor da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, afirmou que pretende entregar resultados muito antes do prazo estabelecido pela prefeita Adriane Lopes (PP). “A prefeitura no decreto estimou seis meses. Mas, no nosso plano, isso pode acontecer em um período bem menor. “Muito antes.”, disse Ivoni em entrevista ao Pix News.
Ex-secretária de Saúde de Iguatemi, Ivoni foi escolhida para liderar a reestruturação da rede pública de Campo Grande, que enfrenta gargalos como superlotação nas UPAs, falta de leitos hospitalares e fila de espera com mais de 100 mil pacientes.
Segundo ela, o foco da prefeita é reorganizar a estrutura e garantir qualidade no atendimento: “A prefeita quer que os serviços de qualidade cheguem lá na ponta para o usuário do SUS. Ela quer qualidade de serviços”.
Autonomia com responsabilidade coletiva
Embora o comitê funcione com gestão colegiada, Ivoni afirmou que tem liberdade para decisões urgentes. “Eu tenho autonomia, porque eu sou a gestora do comitê, mas as nossas decisões sempre vão ser tomadas em conjunto, até porque cada um é de uma área”, explicou. “Mas eu tenho total autonomia, porque eu sou a ordenadora de despesa e sou a coordenadora do comitê”.
Ampliação de leitos é prioridade emergencial
Um dos principais problemas relatados pela população é a falta de leitos hospitalares. Segundo Ivoni, a equipe já está se movimentando para enfrentar esse desafio: “Já estamos em contato para tentar fazer a compra de mais leitos, de vagas. Estamos em estudo. Então essa será uma questão do comitê: tirar esse gargalo das unidades. É uma das primeiras intervenções”.
Sobre a possibilidade de parceria com a rede privada, Ivoni confirmou: “Já iniciamos um estudo sobre isso”.
Ela também destacou que o comitê está em fase de diagnóstico da situação em toda a rede: “O comitê iniciou o trabalho em reunião com o Conselho Municipal, uma aproximação com a Câmara de Vereadores, para entender as demandas e dar continuidade para a nossa reestruturação”.
"Tudo é prioridade"
Questionada sobre qual será a prioridade número um nos primeiros 30 dias, Ivoni não hesitou: “Tudo é prioridade. Todas as nossas unidades, em geral, são prioridade. Então estamos fazendo o diagnóstico. Leitos, são uma prioridade. Medicamentos são prioridade. Estrutura. RH. Tudo é prioridade. A qualidade do serviço em geral é prioridade”.
Transparência e acompanhamento
Questionada sobre como a população poderá acompanhar as decisões do comitê, Ivoni afirmou que os resultados serão perceptíveis no dia a dia da rede. “O resultado vai ser visível”, afirmou.
Ela também destacou os canais já existentes para prestação de contas e controle social: “A saúde tem as suas prestações de contas, nós temos uma ouvidoria e o próprio Conselho Municipal. O conselho municipal vai estar conosco”.
Além disso, garantiu que haverá uma atuação próxima da comunidade e dos órgãos de fiscalização: “Nós viemos aqui para levar a qualidade de serviço ao usuário”.
Crise ou reorganização?
A exoneração da ex-secretária Rosana Leite foi vista como um sinal de crise na gestão da Saúde, especialmente após a série de denúncias e reclamações da população. Ivoni nega que a criação do comitê seja reflexo de instabilidade:
“Esse comitê é para uma reestruturação, para uma melhoria na qualidade da saúde. Esse é o objetivo do comitê: qualidade no serviço para os usuários e para a população de Campo Grande”.
Ela reforça que a gestão colegiada não será permanente: “Eu acredito que é provisória. Só para dar uma reorganização”.
Sem nome formal, gestão é questionada na Câmara
Durante reunião com o comitê, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Vitor Rocha (PSDB), cobrou da prefeita e da equipe jurídica uma explicação sobre a ausência de um secretário formalmente nomeado para o comando da Sesau.
“Eles sustentam que o comitê é legal, mas defendo que Campo Grande precisa de um secretário de fato e de direito, mesmo que interino”, disse Rocha. “Uma cidade com quase um milhão de habitantes, mais de 6 mil servidores na Saúde e um orçamento bilionário precisa de uma liderança dedicada integralmente”.
Além disso, o parlamentar elencou os principais desafios enfrentados pela rede, como a judicialização da saúde, o colapso na regulação hospitalar e a sobrecarga nas UPAs. “Sem nomeação, a prefeita acaba acumulando as funções de chefe do Executivo e da Saúde, concentrando responsabilidade demais em uma única pessoa”, alertou.
Confira quem são os membros do Comitê Gestor da Sesau:
- Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli – Coordenadora Geral
- Catiana Sabadin Zamarreño – Planejamento e Execução Estratégica
- Andréa Alves Ferreira Rocha – Jurídico
- Isaac José de Araújo – Finanças e Orçamento
- Vanderlei Bispo de Oliveira – Administrativo
- André de Moura Brandão – Contratações











