quarta, 11 março 2026

SAÚDE

há 6 dias

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Morador de Sidrolândia pode se tornar segundo paciente de MS a receber polilaminina

Após decisão judicial, Daniel Costa aguarda autorização final da Anvisa para tratamento experimental indicado em lesões medulares agudas

Atualizado: há 6 dias

Suelen Morales

Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, morador de Sidrolândia obteve autorização provisória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para receber tratamento com polilaminina, substância experimental voltada à recuperação de lesões na medula espinhal.

A liminar foi concedida no dia 22 de fevereiro, conforme informou o advogado Gabriel Traven Nascimento, responsável pela ação judicial. Segundo ele, o caso agora aguarda a etapa final de autorização. “Estamos pedindo máxima urgência ao laboratório. A expectativa é que em até 15 dias tenhamos uma definição para a realização da cirurgia”, afirmou.

Nesta terça-feira (3), Daniel realizou exames de ressonância magnética, que serão encaminhados ao Laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento da proteína. Com a entrega dos exames, considerados a última pendência documental, o material segue para análise técnica antes de nova avaliação da Anvisa, que dará a palavra final sobre o procedimento.

O acidente ocorreu em 9 de dezembro de 2025, durante a montagem de silos para armazenamento de grãos. Uma estrutura caiu sobre Daniel, provocando trauma raquimedular agudo (TRM). Ele procurou orientação jurídica após acompanhar o caso de Luiz Otávio, primeiro paciente sul-mato-grossense a passar pelo procedimento.

Judicializações no Estado

Dados do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), responsável por processos em Mato Grosso do Sul e São Paulo, indicam que há 12 ações judiciais em tramitação mencionando a polilaminina  quatro delas na Seção Judiciária de MS e oito em São Paulo.

As ações estão distribuídas em diferentes classes processuais, como Procedimento Comum Cível, Tutela Antecipada e Juizado Especial Cível. Em cinco processos, há participação formal da Anvisa e/ou do Cristália, fabricante da substância.

Em Mato Grosso do Sul, a primeira aplicação ocorreu mediante decisão judicial em um militar de 19 anos com lesão cervical. O procedimento foi realizado em hospital da Capital e teve ampla repercussão.

O que é a polilaminina?

A polilaminina foi desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália. O produto é resultado de cerca de 20 anos de pesquisas e é produzido a partir da proteína laminina, com potencial de estimular a regeneração de conexões nervosas danificadas.

Atualmente, o medicamento está na fase I de estudo clínico em humanos, etapa destinada principalmente à avaliação da segurança. A aplicação é voltada, neste momento, a pacientes com lesões agudas — preferencialmente até 72 horas após o trauma. Há estudos em andamento para verificar possíveis resultados em fases subagudas e crônicas, mas o uso nesses casos ainda não é recomendado oficialmente.

Em nota pública, o laboratório esclarece que, até o momento, não há comprovação científica suficiente que assegure eficácia e segurança em pacientes com lesões crônicas.

Uso compassivo e acesso

O tratamento ocorre por meio do chamado uso compassivo - autorização especial concedida pela Anvisa para pacientes com quadros graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis. A aplicação consiste em dose única administrada diretamente na área da lesão durante procedimento cirúrgico, acompanhada posteriormente de reabilitação intensiva com equipe multidisciplinar.

O acesso ao medicamento deve ser solicitado exclusivamente pelos canais oficiais do Cristália. A empresa ressalta que a substância não é comercializada e que qualquer oferta paga é irregular. Nesta fase inicial de testes, os custos relacionados ao processo e à aplicação são assumidos pelo próprio laboratório.

Repercussão

Em publicação nas redes sociais, o advogado Gabriel Traven destacou a relevância do caso para o Estado. Segundo ele, a mobilização representa a união entre medicina, ciência e direito em busca de alternativas responsáveis para pacientes em situação delicada.

“Não se trata de ineditismo por si só, mas da possibilidade de abrir caminhos quando o paciente e a família não podem esperar. Atuamos com técnica, cautela e estratégia, sempre com responsabilidade. O mais importante é poder fazer diferença na vida das pessoas”, afirmou.

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