segunda, 15 junho 2026

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há 1 mês

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Justiça Eleitoral cassa mandato de vereador em Corumbá por irregularidades na campanha

Decisão reconhece compra de votos, anula votação do candidato e determina recontagem do resultado eleitoral; multa supera R$ 53 mil

Atualizado: há 1 mês

Ricardo Prado

A Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato de um vereador eleito em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, após concluir que houve prática de compra de votos durante a campanha das eleições municipais de 2024. A decisão foi proferida pela 7ª Zona Eleitoral e atende a uma ação movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Além da perda do cargo, o parlamentar foi condenado ao pagamento de multa e teve todos os votos anulados, o que pode provocar mudanças na composição da Câmara Municipal.

Indícios financeiros e provas documentais

De acordo com o processo, as investigações reuniram um conjunto de evidências que apontam para a prática de captação ilícita de sufrágio. Entre os elementos analisados estão registros de movimentações em dinheiro vivo durante o período eleitoral, além de documentos considerados relevantes para a apuração.

Foram apreendidos recibos escritos à mão, anotações com dados de eleitores, registros de pagamentos e informações extraídas de dispositivos eletrônicos. O material, segundo a decisão judicial, contribuiu para demonstrar a existência de repasses financeiros com finalidade eleitoral.

Outro ponto destacado foi a divergência entre os valores movimentados na campanha e aqueles oficialmente informados na prestação de contas à Justiça Eleitoral, o que reforçou as suspeitas de irregularidades.

Entendimento da Justiça sobre compra de votos

Na sentença, o magistrado enfatizou que a distribuição de dinheiro em troca de apoio político compromete a lisura do processo democrático e fere o princípio de igualdade entre os candidatos.

O entendimento adotado segue jurisprudência consolidada da Justiça Eleitoral: não é necessário que haja pedido explícito de voto para caracterizar a irregularidade. Basta que fique comprovado que a conduta teve finalidade eleitoral.

Penalidades e impacto no resultado

Além da cassação do diploma, o vereador foi condenado ao pagamento de multa no valor de R$ 53.205,00. A decisão também determinou a nulidade dos votos recebidos pelo candidato e a realização de uma nova totalização eleitoral.

Com isso, há possibilidade de alteração no resultado final das eleições proporcionais no município, o que pode modificar a atual composição do Legislativo local.

Atuação do Ministério Público

A ação foi inicialmente conduzida pelo promotor de Justiça Rodrigo Correa Amaro e, atualmente, é acompanhada pela promotora Viviane Zuffo Vargas. Segundo o MPMS, a iniciativa busca assegurar a transparência do processo eleitoral e coibir práticas que interfiram na liberdade de escolha do eleitor.

O caso ainda pode ser alvo de recursos nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

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