Mesmo com pouco mais de um quarto dos serviços executados até agora na alça de acesso à ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho — um trecho de aproximadamente 13 quilômetros —, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mantém a previsão de finalizar a obra até o fim de 2026. A única hipótese de alteração no prazo, conforme o órgão, seria um eventual atraso na liberação dos recursos restantes.
Até o momento, foram repassados R$ 139,5 milhões ao consórcio responsável pelos trabalhos, o PDC Fronteira, formado pelas empreiteiras Caiapó, Paulitec e DP Barros, sediadas em Goiás e São Paulo. O valor total contratado para a alça de acesso é de R$ 472,4 milhões.
Segundo o DNIT em Mato Grosso do Sul, as interrupções pontuais nas atividades de terraplanagem ocorreram exclusivamente devido ao início do período chuvoso, não havendo, por parte das empresas contratadas, qualquer solicitação de reequilíbrio financeiro do contrato.
Dados de uma estação meteorológica do Inmet localizada na zona rural de Porto Murtinho indicam que, nos meses de outubro e novembro, o volume acumulado de chuvas foi de 173 milímetros, abaixo da média histórica para esse período, que é de 282 milímetros. Já as estações instaladas na área urbana do município não divulgaram registros recentes.
Nos bastidores da obra, porém, técnicos ouvidos no canteiro relataram uma versão diferente. De acordo com esses profissionais, o consórcio teria solicitado uma revisão contratual da parte de terraplanagem — orçada em R$ 145,9 milhões — e estimado a conclusão do projeto apenas para 2028.
De acordo com números oficiais do DNIT, já foram executados 8,14 quilômetros de terraplanagem, com a compactação de cerca de 895 mil metros cúbicos de solo e cascalho — o equivalente a aproximadamente 60 mil viagens de caminhões basculantes, considerando uma média de 15 metros cúbicos por cargamento. Ainda assim, esse volume representa apenas 40% do total necessário para a finalização completa da etapa.
Enquanto a terraplanagem aguarda melhores condições climáticas, as empresas seguem trabalhando na concretagem das estruturas que compõem as chamadas “obras de arte especiais” — sete pontes e viadutos ao longo do trecho. O avanço dessas estruturas varia de 4,67% a 72,39%, conforme o estágio de cada uma.
A construção da alça de acesso teve início em setembro de 2024 e o contrato prevê um prazo total de 26 meses para sua conclusão.
Corredor internacional
O traçado de 13 quilômetros, situado em área alagável do Pantanal, ligará a BR-267 à cabeceira da ponte binacional sobre o Rio Paraguai. Essa ponte — financiada pelo governo do Paraguai — começou a ser construída em fevereiro de 2022 e já alcançou aproximadamente 85% de execução.
Com 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura, a estrutura está sendo erguida a 35 metros acima do leito do rio. Seu trecho estaiado, de 632 metros, é sustentado por torres de 130 metros de altura, restando cerca de 166 metros para a conclusão dessa etapa.
Tanto a ponte quanto a alça de acesso fazem parte do projeto da Rota Bioceânica, um corredor rodoviário de cerca de 2,4 mil quilômetros que conectará os oceanos Atlântico e Pacífico, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
A previsão é que as duas frentes de obra se encontrem até o final de abril de 2026. A construção da ponte integra um pacote de investimentos de aproximadamente US$ 1,1 bilhão do governo paraguaio, sendo a maior parte destinada à pavimentação de cerca de 580 quilômetros de rodovias entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.









